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(por Flávio Seixlack)
A capa do novo disco do Four Tet já dá a pista: Everything Ecstatic está bem mais ensolarado que seu antecessor, Rounds (2003). Lançado no ano passado pela gravadora Domino e chegando agora ao Brasil pela Slag Records, o quarto álbum de Kieran Hebden elimina qualquer dúvida – se é que restava alguma – de que o artista é hoje um dos principais nomes da música eletrônica mundial.
A barulhenta "A Joy" abre o disco, e não entrega logo de cara o clima que acompanha quase todas as demais canções, como a dançante "Smile Around The Face", que soa como se um coral de igreja resolvesse fazer música eletrônica (e se divertisse bastante com isso), e a alegre "Sun Drums and Soil", mostrando o lado jazzístico de Hebden. Em seguida vem "Clouding", que pode ser considerada uma canção de passagem, abrindo espaço para as ótimas "And Then Patterns" e "High Fives".
Inspirado, o músico improvisa no disco como costuma fazer em suas apresentações ao vivo, tornando as canções mais soltas e livres. Apesar da liberdade, Hebden tem tudo sob controle, e deixa isso bem claro durante as faixas. Concebido e produzido em apenas dois meses em seu apartamento, Everything Ecstatic traz colagens sonoras impressionantes, e as atmosferas e ambientações criadas no álbum demonstram a naturalidade com que o artista trabalha em cima de suas canções.
Embora aponte para rumos diferentes de Pause (2001) e Rounds , ainda é possível perceber tudo aquilo que fez de Four Tet um dos melhores do gênero. Ele sem dúvida imprime uma marca a seus trabalhos. As influências de seus discos anteriores se mostram presentes no novo álbum, embora o músico as utilize para criar algo novo e diferente do que já mostrou anteriormente, dando uma interessante sensação de frescor a Everything Ecstatic.
O disco segue em "Sleep, Eat Food, Have Visions", com quase oito minutos para experimentar e brincar com vários elementos, como loops de bateria e batidas de hip-hop. "You Were There With Me" fecha o disco de maneira brilhante, quase como um réquiem resposta para a euforia presente nas canções anteriores.
Com a difícil missão de suceder Rounds , sucesso tanto de crítica quanto de público, o novo álbum surpreende exatamente por não soar como o anterior, e por abrir um leque de possibilidades não apenas para sua música, mas para o gênero em geral. Enquanto muitos esperavam que Hebden reafirmasse o estigma de precursor da chamada folktronica , Everything Ecstatic foge dos rótulos e se mostra um disco essencial na carreira do músico como Four Tet.
Four Tet já se apresentou duas vezes por aqui: no fim de 2002, quando tocou em um pequeno teatro localizado na Rua Teodoro Sampaio (Kieran estava por aqui para participar de um workshop), e em 2004, na edição brasileira do Sonar. |