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SLG009
Arcade Fire
"Funeral" (2005)

 

(por Guilherme Barrella)

Quando foi lançado há exatamente um ano atrás nos EUA, Funeral, o álbum de estréia dos canadenses Arcade Fire, foi aclamado com folga como um dos grandes discos de 2004. Foi consenso, dos pequenos zines de música alternativa à grande imprensa, como o New York Times e a Rolling Stone. Alguns meses depois, já em 2005, foi hora da Europa se render ao álbum do sexteto. A história se repetiu: 'disco do ano', New Musical Express e Guardian combinaram. Chega agora a vez do Brasil, que prestes a receber os shows da banda, tem o álbum editado através das mãos da Slag Records, que ganha ainda mais pontos por manter impecável a magnífica arte de Funeral.

Esse hiato desde o lançamento original até a edição brasileira nos dá a chance de analisar com mais dados o fenômeno Arcade Fire. Há um ano, o disco puxou um pacote de bandas canadenses consigo, bandas que... quem se lembra? De todas as promessas, Arcade Fire foi a que vingou. Não só isso, como transcendeu. Arcade Fire não é apenas mais uma banda canadense. Hoje eles são 'a' banda canadense. Hoje eles são norte-americanos, europeus, asiáticos e brasileiros.

Um ano conturbado, de casamentos e funerais, rendeu material para o primeiro álbum do grupo, o que também explica o título. O sentimento agridoce, de perda e renovação, choque e compreensão, alegria e tristeza, passa por todas as canções de Funeral. Musicalmente, o grupo revela suas múltiplas personalidades, partindo do pós-punk (do original ao revisitado, de P.I.L. a Interpol), passando pelo britpop (outra vez, das origens aos resultados, de David Bowie a Pulp) e chegando ao indie-rock norte-americano de Flaming Lips e Modest Mouse.

Jogue aí mais algumas pitadas de baladas de soft rock dos anos 70, andamentos de rock dos anos 50, arranjos orquestrais majestosos, psicodelia disfarçada e um casal de vocalistas que transitam entre John Lydon, Björk e Wayne Coyne. Eles cantam e tocam drama, mas até dá pra dançar. É o contraponto agridoce também no som, levando a angústia contida até uma extirpação catártica.

Apesar de todas as referências que Funeral carrega, o Arcade Fire tem a magia de transformá-las em algo único, só deles. Algo novo com gostinho familiar. Como aquela música que lembra alguma coisa que você adora, mas não consegue identificar.

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